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No me llames extranjero
Um dia desses, de sol radiante, alegre e cheio de boas expectativas, recebi um pps com a canção "No me llames extranjero" que me tocou o coração como nenhuma outra jamais tocou. Infelizmente não poderei colocar aqui a música, mas a poesia mesmo sem acompanhamento musical nos faz pensar, refletir e modificar nossa maneira de pensar e nossos preconceitos raciais. O poeta e cantor que teve a sensibilidade de escrever algo tão belo chama-se Rafael Amor, nascido em Buenos Aires em novembro de 1948. No me llames extranjero porque haya nacido lejos o porque tenga otro nombre la tierra de donde vengo. No me llames extranjero porque fue distinto el seno o porque acuno mi infancia, otro idioma de los cuentos. No me llames extranjero si del amor de una madre tuvimos la misma luz, en el canto y en el beso con que nos sueñan iguales las madres contra su pecho. No me llames extranjero ni pienses de donde vengo. Mejor saber donde vamos, adonde nos lleva el tiempo. No me llames extranjero, porque tu pan y tu fuego calman mi hombre y mi frió, y me cobija tu techo. No me llames extranjero tu trigo es como mi trigo tu mano como la mía, tu fuego como mi fuego y el hombre no avisa nunca y ve cambiado de dueño. Y me llamas extranjero porque me trajo un camino, porque nací en otro pueblo y un día zarpe de otro puerto. Porque conozco otros mares se siempre quedan iguales el adiós, los pañuelos, y las pupilas borrosas de los que dejamos lejos. los amigos que nos nombran, y son iguales los rezos y el amor de la que sueña con el día del regreso. No me llames extranjero. Tráenos el mismo grito, el mismo cansancio, viejo que viene arrastrando el hombre desde el fondo de los tiempos, cuando no existían fronteras, antes que vinieran ellos los que dividen y matan, los que rebon , los que mienten, los que venden nuestros sueños, los que inventaran un día, esta palabra, extranjero! No me llames extranjero que es una palabra triste, es una palabra helada, huele a olvido y a destierro. No me llames extranjero mira tu niño y el mío como corren de mano, hasta el final del sendero. no me llames extranjero. Ellos no saben de idiomas, de límites ni banderas. Míralos se van al cielo con una risa paloma, que los reúne en el vuelo. No me llames extranjero Piensa en tu hermano y el mío. el cuerpo lleno de balas, besando de muerte el suelo. Ellos no eran extranjeros, se conocían de siempre Por la libertad eterna, igual de libre murieron. No me llames extranjero mírame bien a los ojos, mucho más allá del odio, del egoísmo y el miedo. Y veras que soy un hombre. No puedo ser extranjero! 
Escrito por silemar às 19h48
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Não me chames estrangeiro
Agora a tradução livre feita por mim (desculpe se não está exatamente correta) da belíssima poesia de Rafael Amor. Não me chames estrangeiro porque nasci longe ou porque tenha outro nome a terra de onde venho. Não me chames estrangeiro porque sou diferente ou porque os contos da minha infância, eram noutro idioma Não me chames estrangeiro se do amor de uma mãe tivemos a mesma luz e o canto e o beijo com que nos apertam ao peito iguais às outras mães. Não me chames estrangeiro nem perguntes de onde venho. Melhor saber para onde vamos aonde nos leva o tempo. Não me chames estrangeiro porque teu pão e teu fogo acalmam minha fome e meu frio e me abriga o teu teto. Não me chames estrangeiro. Teu trigo é como meu trigo tua mão como a minha, teu fogo como meu fogo. E o homem não avisa nunca quando chega sorrateiro. E me chamas estrangeiro porque venho de outro caminho porque nasci em outro lugar e um dia zarpei de outro porto, porque conheço outros mares se sempre são iguais o adeus, os lenços, e os olhos marejados dos que ficaram longe e os amigos que nos lembram. E são iguais as rezas e o amor daquela que sonha com o dia do regresso. Não me chames estrangeiro. Temos o mesmo grito O mesmo cansaço antigo que vem arrastando o homem desde o começo dos tempos quando não existiam fronteiras antes que eles viessem. Os que dividem e matam os que roubam, os que mentem, os que vendem nossos sonhos, os que inventaram um dia, esta palavra: estrangeiro! Não me chames estrangeiro que é uma palavra triste É uma palavra errada que leva ao esquecimento e ao desterro. Não me chames estrangeiro. Olha teu filho e o meu como correm de mãos dadas até o final do caminho. Não me chames estrangeiro. Eles não sabem de idiomas, de limites, nem bandeiras. Olha-os como vão ao céu com uma leve pomba que os reúne em seu véu. Não me chames estrangeiro pensa em teu irmão e no meu o corpo cheio de balas, beijando na morte o chão. Eles não eram estrangeiros, se conheciam de sempre. Pela liberdade eterna, igualmente livres morreram. Não me chames estrangeiro. Olha-me bem nos olhos, muito além do ódio, do egoísmo e do medo e verás que sou um homem. Não posso ser estrangeiro!
Escrito por silemar às 19h40
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Homo, bi, hetero - Assim é a humanidade
Amparo Caridade // Psicológa amparo_caridade@uol.com.br
Assim estamos na humanidade desde os primórdios. Não houve um tempo em que isso foi diferente. Entre primitivos e civilizados, intelectuais ou iletrados a pulsão humana para o amor sempre se manifestou numa dessas direções. Não se trata de um mal da nossa época, de uma falta de vergonha, pouca moral ou coisa semelhante. É a nossa humanidade, essa que atravessa nosso ser. É ela que é homo, bi ou heterossexual. Somos sim capazes de viver a sexualidade nessa diversidade de orientações. Isso é encontrado em todos os povos, raças, lugares de todos os tempos. Entre nossos índios como entre povos civilizados houve sempre interesses e vivências homo, bi ou heterossexuais. Grandes personagens da história foram homossexuais e sua forma de viver a sexualidade não os impediu de deixarem brilhantes contribuições nos mais variados campos do saber.
É desumano, cravar o punhal ou crítica ferina em pessoas que agem diferente de nós. Talvez devamos suspeitar de nossos saberes absolutos que se arvoram a discriminações. Saberes totalitários, diria, sobre o que é certo, errado, pecaminoso ou virtuoso. Saberes que não somam; dividem muito. Em nome desses saberes, ideias maquiadas de verdade, firmam-se preconceitos, intolerâncias, fundamentalismos, racismos, homofobias. Em nome de saberes assim absolutos se abriram campos de concentração que hoje envergonham a humanidade. O fanatismo atrai todos os raios e leva aos caminhos da perdição, disse bem o jornalista do Diario, José Adalberto Ribeiro.
Os depreciadores da vida são muitos e curiosamente são eles que dizem como deve ser o mundo. O mundo não é mau; nossa desumanidade sim. Quando somos incapazes de amar a vida ficamos de mau humor e aí nos desumanizamos. Perdemos a capacidade de tolerar e apreciar a diversidade. Rejeitamos os que agem diferente de nós sem a busca de uma compreensão do que é mesmo o que se recusa. Recuperar a inocência do olhar será necessário à humildade e bem-estar diante da realidade. Não é o tempo ou umaépoca que é má. Talvez o mal-estar esteja na forma como somos e estamos no mundo. Cuidar do modo como estamos na vida é fundamental para que possamos estar bem no mundo tão diverso que nos cerca. Em nome de que, seríamos seus avaliadores?
Ser homo, bi ou hetero é a orientação sexual de cada pessoa. Não é uma escolha. Se o fosse, quem escolheria uma via que ainda é cheia de rejeições e preconceitos e que causa tanto sofrimento? O preconceito parece nos impedir de avaliar, como é feio e indigno, certos casais que em sagrados matrimônios se maltratam, desrespeitam, impõem vontades humilhantes ao eu do outro. Há muitos homossexuais que do alto de sua ética, competência, dignidade, responsabilidade humana e social fariam corar de vergonha certos preceituadores de virtudes autoritárias. É em nome das intolerâncias que se fazem necessárias certas leis. Quando a humanidade falha em nós, a lei nos vigia e nos acode para que não percamos a cabeça contra nosso semelhante - e faz-se a lei. Foi aprovado o Projeto de Lei número 122, da Câmara, que criminaliza a discriminação ou preconceito de gênero, sexo, orientação sexual e identidade de gênero. Benvinda a lei. Quem sabe ela nos ajuda a ver que o outro vale pelo que é como pessoa, como sujeito em seu existir.
Escrito por silemar às 11h31
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Pax Deorum

A minha doce e querida prima-irmã Verinha me enviou um slide com fotos, música e esse texto de beleza inigualável. Não poderia deixar de compartilhar com vocês.
Pax Deorum *Antiga saudação em Latim, que significa: “Paz dos Deuses” Texto: Luiz Carlos Gnoatto (Escrito (14/8/2006 – 10/08/2008) “A alma dorme na pedra, sonha no vegetal,agita-se no animal,e toma consciência no homem.”(Léon Denis) “Não temos alternativas: ou investimos todo o nosso esforço e criatividade na criança, através de uma escola de horário integral, com boas aulas, animação cultural, esportes e acompanhamento médico, ou cairemos na barbárie, no pânico coletivo, e teremos medo de crianças.” (Darcy Ribeiro – frase dita em 1987) Ter medo de crianças!?!?! Até onde não chegaremos com nossa humana insanidade!!! Pax Deorum Terra de todos os seres Mãe Natureza de todas as vidas terra de todos os seres, água, fadas, ninfas, gentes, gnomos, duendes, silfos, elfos, serpentes, bichos, fogo, ar, ondinas, salamandras, espíritos, sementes. Terra de seres encantados. De bichos e de homens que poderiam viver irmanados. Mãe Natureza que pariu lugares mágicos e seres magos. Terra que padece com homens malévolos e seus feitos trágicos. Terra alta, Terra baixa! Terra de todas as terras, de todos os bichos, de todas as gentes. Terra de todos os seres, de todos os entes. Terra linda, porque os homens te fazem feia? Terra mágica, da vida soa como onomatopéia. O manancial de toda esta odisséia. Terra de criaturas fascinantes! Por que alguns de teus filhos têm que ser tão cruéis com seus semelhantes? Terra! Ora mãe, ora ferida, do teu ventre brotam sonhos, o teu seio gera vida. Terra de mistérios e encantos, porque os homens te preferem horrenda? Terra que germina em fascínios de uma Mãe Natureza caprichosa. Terra que fenece em delírios insanos de mentes asquerosas. Senhores da guerra, de almas negras e caras brancas. Nenhum lugar do universo é melhor do que a casa da gente! Terra nobre! Terra onipresente! Nós progredimos fazendo trocas desiguais. Estes são dias desleais! Terra é vida! Do teu barro veio o homem e veio a mulher. Terra é amor, do teu ventre vem a semente, vem o fruto e vem a flor. Fabricamos armas competindo para ver quem será aquele que vai criar aquela que matará mais de nós por vez. “Guerras santas, guerras quentes, guerras mornas, guerras frias”(Renato Russus) Terra é origem da vida; terra que me faz. Terra é o fim da jornada do corpo; na terra, meu Eu matéria, descansará em paz. Terra quente. Terra que arde vulcânica sob meus pés. Pés, cheios de calos de tanto andar por este chão. Chão fecundo que tu és. Terra água. Terra, por tuas sendas ando sozinho, mas não perco o caminho, feito pássaro em busca do ninho. Terra caleidoscópica, cio da terra, eterno que se faz presente. Bela e cálida, igual sedução de mulher fulgente. Terra espoliada que de tão castigada, grita catástrofes esganiçadas e mancha o próprio seio com aquarelas ensangüentadas. Terra de lugares que não se pode morrer sem tê-los visto antes. Mesmo na mais profunda escuridão do universo Tu és bela! Tu és fascinante! Tu és a Mãe Natureza. Tu és o chão do nosso lar! E como tu vais estar, terra bela, quando eu crescer? O que será da Mãe Natureza se nossas crianças não desfrutarem deste espetáculo chamado Terra? Por quanto tempo ainda te deixaremos assim bela? Por quanto tempo nós, humanos, te deixaremos assim viva? Por quanto tempo ainda veremos teus encantos? Terra esplêndida! Como tu estarás quando eu crescer? Humanos gerando morte predatória de filhotes humanos. Humanos gerando morte predatória de filhotes de outros animais. Humanos, presunçosos e arrogantes em sua demência, levando morte à natureza e aos seres e a si mesmo a decadência. E se a ordem fosse inversa? Terra Bela, onde está tua esperança? Crianças!!! Sim, as crianças! Sementes do homem e confiança da terra. Dos seus entes o horizonte de bonança Terra bela; terra feia. Terra boa; terra horrenda. Que herança deixaremos para as próximas gerações? Terra mãe, um dia sim, não sei quando, para o teu ventre voltarei. Corpo limpo no teu seio para sempre dormirei Alma livre, por mundos inatingíveis de qualquer universo, eternamente vagarei. “O oposto do amor não é o ódio. É a indiferença” (Érico Veríssimo) Não se omita de preservar a tua parte de vida, de natureza, de terra Apaixone-se pela natureza! Preserve a vida! Em todas as suas formas e espécies! Vale a pena!
Escrito por silemar às 11h53
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Mais um amigo que parte...
Hoje recebi a triste notícia de que Ronaldo Soares se foi. Criou asas e voou para o infinito, deixando conosco muitas saudades e lembranças felizes do tempo em que aqui viveu. Quem conhecia Ronaldo apenas através do seu programa na Rede Record, Empresas e Empresários, via um homem sério colocando no ar notícias sérias. Não viu, não conheceu o outro lado de Ronaldo. O lado menino apesar dos seus quase 56 anos, o lado maroto, o lado generoso. Nós que tivemos a sorte de conhecê-lo mais intimamente fomos os felizes ganhadores dessa loteria que é a amizade, o conhecimento, o prazer de compartilhar momentos que ficarão para sempre em nossas lembranças. Adeus meu amigo. Adeus, não. Até um dia quando certamente nos encontraremos outra vez. Nesse momento o céu e os amigos que lá se encontram nos esperando estão em festa com sua chegada, enquanto nós aqui continuaremos a sentir sua ausência. Ronaldo Soares – 22 de dezembro de 1953 – 05 de novembro de 2009.
Escrito por silemar às 12h15
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Um dia mais do que especial
Dia 31 de outubro de 2009 foi um dia mais do que especial. Um dia onde o futuro, a realidade e a magia se encontraram. Minha amiga Ilma Torres de Morais é dona e diretora de um dos melhores colégios daqui, o Colégio Emília. E me fez um convite para apresentar meus contos infantis aos seus alunos. Confesso que fui um pouco apreensiva, mas nós todos nos surpreendemos com o interesse demonstrado pelas crianças. Todos os alunos demonstraram não somente interesse, como também fizeram muitas perguntas sobre literatura. E hoje, graças a esse mágico e surpreendente encontro, eu volto a acreditar no futuro de nossa Pátria 
Escrito por silemar às 19h20
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Desencanto...
Pouco a pouco todas, todas as ilusões da minha infância estão se desfazendo como poeira no ar. Sabe quando você vê uma réstia de luz e nela pontinhos que também parecem luzes, mas são apenas poeira e vão pouco a pouco sumindo até que desaparecem sem deixar rastros? Pois é assim que venho me sentindo com relação às coisas em que eu acreditava, como lealdade, heroísmo, idealismo, humanidade, etc. Quando eu era criança e entrava no galpão onde meu tio guardava as sacas de algodão, eu adorava ver a poeira subindo pelas réstias de luz e sempre me dava uma tristeza saudosa quando elas sumiam. É a mesma tristeza que sinto agora vendo se desfazerem uma a uma as belas mentiras para mim tão verdadeiras, hoje transformadas em poeira e sem as réstias de luz que as transformavam em estrelas. Gostaria de não ter crescido, de nunca ter ficado adulta, de viver para sempre com as minhas fadas, meus duendes, cavalos e príncipes encantados, com minhas réstias de estrelinhas perdidas na terra. Gostaria de continuar a ver carneiros nas nuvens, o dragão na lua (eu sempre torcia pelo dragão, nunca por São Jorge), gostaria de voltar a ser criança e acreditar que é possível encontrar a Chave do Tempo como Emília do Picapau Amarelo. Mas, quando assisto o Jornal Nacional, quando escuto as notícias dos nossos deputados, senadores, governadores, presidente, quando fico sabendo que uma garota matou os pais por dinheiro, que crianças cegaram um pobre cavalo e depois tocaram fogo nele, sinto-me velha, solitária, triste e desencantada. Onde estão os valores em que acreditávamos? Para onde foram a lealdade, o respeito aos mais velhos, a educação, os princípios morais e religiosos? As crianças hoje agridem seus pais e professores. Não acreditam em fadas, não lêem Monteiro Lobato nem Os Contos da Carochinha. Em vez disso brincam de “matar” nos jogos de computador, fazem Orkut e escrevem coisas de arrepiar os cabelos das pessoas que como eu ainda falam e escrevem um português compreensível, mesmo que contenha alguns erros gramaticais. É ruim voltar à realidade e ver que acreditei quase somente em mentiras e que a verdade é tão triste e dolorosa que não vale a pena nela acreditar. Por isso continuo com minhas fadas, duendes e elfos. Ainda me encanta ver estrelas na réstia de poeira e imaginar São Jorge na Lua apanhando do Dragão. Ainda olho para o céu e vejo as nuvens formando figuras engraçadas e à noite eu imagino que as estrelas são os olhinhos dos anjos olhando para a Terra e desejando que os homens se tornem realmente a imagem e semelhança de Deus.

Escrito por silemar às 12h12
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Uma criança e um cão
Uma criança e um cão. Imagens que nos trazem lembranças felizes e caras ao nosso coração. Sensação de beleza e paz, inocência e esperança, amor e sonhos. Uma criança e um cão. Existe algo mais profundamente inocente? Ambos são simples e verdadeiros. Não ligam para riquezas e curtem o momento como ele se apresenta. Nós todos fomos assim como essa criança e esse cão. Mudamos ao longo da vida, perdemos essa capacidade de sermos simples, de viver intensamente cada momento, de curtir o vôo de uma borboleta, de olhar encantado para uma flor ou uma pedra. Alguns poucos conseguem manter dentro de si a criança que foram um dia e continuam suas vidas iluminadas pela magia, pela esperança e a certeza de que não é preciso ter riquezas para ser feliz e olhar o mundo com olhos cheios da alegria de viver e deixar viver. 
Essa criança linda e cheia de amor é Sophia, a sobrinha querida da minha amiga Ilma. Ela trouxe esperança e alegria para todos. Que ela cresça forte e verdadeira mantendo sempre em seu coração a luz divina do amor a Deus e à natureza. 
Essa é Lua, a cadelinha traquina e feliz que foi resgatada da rua e hoje enche de alegria a casa da minha amiga Ilma. Seu olhar demonstra a fidelidade e o amor que só alguns seres privilegiados conseguem transmitir.
Escrito por silemar às 12h49
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Teste inteligente
Impressionante como dá certo. Leia com atenção. Pegue uma caneta e marque sua resposta. Depois, só depois de escolher, você deve olhar o resultado na página seguinte, ok? Imagine que você está no meio da selva e encontra uma cabana às margens de um rio. Você entra na cabana e vê à sua esquerda sete pequenas camas e à direita uma pequena mesa com sete cadeiras. Sobre mesa tem uma cesta com 5 tipos de frutas. São elas: a.) Maçã b.) Banana c.) Morango d.) Pêssego e.) Laranja Qual fruta você escolheria? - A sua escolha revela muito de você. Resultado do teste no final da página **************************************************** **************************************************** *************************************************** Escolheu direitinho? Com bastante cuidado? Olhe agora o resultado do seu teste e veja só se não é impressionante como dá certo!! a.)Se você escolheu a maçã significa que você é do tipo de pessoa que adora comer maçã. b.)Se você escolheu a banana significa que você é o tipo de pessoa que adora comer banana. c.)Se você escolheu a morango significa que você é o tipo de pessoa que adora comer morango. d.)Se você escolheu a pêssego significa que você é o tipo de pessoa que adora comer pêssego. e.)Se você escolheu a laranja significa que você é o tipo de pessoa que adora comer laranja.
Aposto que você tá louco pra me dar uma porrada, né? Bem... Eu também ainda estou procurando o filho da p... que me mandou esta po....
Escrito por silemar às 20h08
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Para sonhar é preciso acreditar
Para sonhar é preciso acreditar. É preciso estar constantemente apaixonada. É amar até sem ser amada. Para sonhar é necessário fé, muita fé e no que só existe para você, em você. E acreditar que sozinha você pode mudar o mundo. Ainda mais: é sentir-se voar nas nuvens. Sonhar é mais real que a realidade, para uma boa sonhadora. É ter dentro de si normas e mandamentos infinitos, incompreendidos e invisíveis, mas que você vê e segue. Sonhar é a procura incansável. É como andar sobre chamas acesas rumo ao fim do mundo, até chegar a outro planeta. Sonhar é voar, ir tão longe sem tirar os pés do chão. É jurar ter beijado lábios que estão longe. É sonhar... É entregar sua vida inteira por uma promessa não prometida...Mas você acredita, se sonha. Para sonhar é preciso esquecer tudo, recomeçar do zero a cada segundo e continuar andando depois de cair, com um belo sorriso vivo, sempre vivo no rosto. Para sonhar é necessário nascer e chorar de alegria; do ar da graça a vida dar. Para sonhar é preciso aprender a não dizer "não". A palavra "nunca" nunca existe a quem sonha. É preciso se sentir cheia, sempre cheia de ilusões, tão ilusões que você acredita poder acontecer. Sonhar é comemorar a vitória do derrotado, é dar razão à loucura, é proteger a Lua e viajar para lá todas as noites. Para sonhar é preciso aprender que mesmo só se sonha; que sonhar é um dom para quem sabe sonhar. E que os sonhos só serão sonhos ao sonhador de pouca fé. Para sonhar é preciso ter o mundo, ter poderes, encantos, sentir. É preciso ter tudo, ou simplesmente, existir... (Desconheço a autoria)
Escrito por silemar às 20h02
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Tua face

Manhãs que se perderam nas sombras de tardes vazias E entre as brumas da noite nua teu rosto surge no silêncio da saudade sombria. E tua face pura entre as sombras foi tudo o que ficou... Silemar – outubro/2009
Escrito por silemar às 11h48
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Origem de alguns ditos populares
JURAR DE PÉS JUNTOS “Mãe, eu juro de pés juntos que não fui eu”. - A expressão surgiu através das torturas executadas pela Santa Inquisição nas quais o acusado de heresias tinha as mãos e os pés amarrados (juntos) e era torturado para fazer o juramento que o inquisidor queria – aliás, a vítima jurava qualquer coisa. Até hoje o termo é usado para expressar a veracidade de algo que uma pessoa diz. MOTORISTA BARBEIRO “Que cara mais barbeiro!” - No século XIX, os barbeiros faziam não somente os serviços de corte de cabelo e barba, mas também, tiravam dentes, cortavam calos, etc, e por não serem profissionais, seus serviços mal feitos geravam marcas. A partir daí, desde o século XV, todo serviço mal feito era atribuído ao barbeiro, pela expressão “coisa de barbeiro”. Esse termo veio de Portugal, contudo a associação de “motorista barbeiro”, ou seja, um mau motorista, é tipicamente brasileira. TIRAR O CAVALO DA CHUVA “Pode ir tirando seu cavalinho da chuva porque não vou deixar você sair hoje!” - No século XIX, quando uma visita ia ser breve, ela deixava o cavalo ao relento em frente à casa do anfitrião e se fosse demorar, colocava o cavalo nos fundos da casa, em um lugar protegido da chuva e do sol. Contudo, o convidado só poderia pôr o animal protegido da chuva se o anfitrião percebesse que a visita estava boa e dissesse: “pode tirar o cavalo da chuva”. Depois disso, a expressão passou a significar a desistência de alguma coisa. À BEÇA O mesmo que abundantemente, com fartura, de maneira copiosa. A origem do dito é atribuída às qualidades de argumentador do jurista alagoano Gumercindo Beça, advogado dos acreanos que não queriam que o Território do Acre fosse incorporado ao Estado do Amazonas. DAR COM OS BURROS N'ÁGUA A expressão surgiu no período do Brasil colonial, onde tropeiros que escoavam a produção de ouro, cacau e café, precisavam ir da região Sul à Sudeste sobre burros e mulas. O fato era que muitas vezes esses burros, devido à falta de estradas adequadas, passavam por caminhos muito difíceis e regiões alagadas onde os burros morriam afogados. Daí em diante o termo passou a ser usado para se referir a alguém que faz um grande esforço para conseguir algum feito e não consegue ter sucesso naquilo. GUARDAR A SETE CHAVES No século XIII, os reis de Portugal adotavam um sistema de arquivamento de jóias e documentos importantes da corte através de um baú que possuía quatro fechaduras, sendo que cada chave era distribuída a um alto funcionário do reino. Portanto eram apenas quatro chaves. O número sete passou a ser utilizado devido ao valor místico atribuído a ele, desde a época das religiões primitivas. A partir daí começou-se a utilizar o termo “guardar a sete chaves”, para designar algo muito bem guardado. OK A expressão inglesa “ok”, que é mundialmente conhecida para significar algo que está tudo bem, teve sua origem na Guerra da Secessão, nos EUA. Durante a guerra, quando os soldados voltavam para as bases sem nenhuma morte entre a tropa, escreviam numa placa “o killed” (nenhum morto), expressando sua grande satisfação, daí surgiu o termo “ok”. ONDE JUDAS PERDEU AS BOTAS Existe uma história não comprovada, de que após trair Jesus, Judas enforcou-se em uma árvore sem nada nos pés, já que havia posto o dinheiro que ganhou por entregar Jesus dentro de suas botas. Quando os soldados viram que Judas estava sem as botas, saíram em busca delas e do dinheiro da traição. Nunca ninguém ficou sabendo se acharam as botas de Judas. A partir daí surgiu a expressão, usada para designar um lugar distante, desconhecido e inacessível. PENSANDO NA MORTE DA BEZERRA A história mais aceitável para explicar a origem do termo é proveniente das tradições hebraicas, onde os bezerros eram sacrificados a Deus como forma de redenção de pecados. Um filho do rei Absalão tinha grande apego a uma bezerra que foi sacrificada. Assim, após o animal morrer, ele ficou se lamentando e “pensando na morte da bezerra”. Após alguns meses o garoto morreu. PRA INGLÊS VER A expressão surgiu por volta de 1830, quando a Inglaterra exigiu que o Brasil aprovasse leis que impedissem o tráfico de escravos. No entanto, todos sabiam que essas leis não seriam cumpridas, assim, essas leis eram criadas apenas “pra inglês ver”. Daí surgiu o termo. RASGAR SEDA A expressão que é utilizada quando alguém elogia grandemente outra pessoa, surgiu através da peça de teatro do teatrólogo Luís Carlos Martins Pena. Na peça, um vendedor de tecidos usa o pretexto de sua profissão para cortejar uma moça e começa a elogiar exageradamente sua beleza, até que a moça percebe a intenção do rapaz e diz: “Não rasgue a seda, que se esfiapa”. O PIOR CEGO É O QUE NÃO QUER VER Em 1647, em Nimes, na França, na universidade local, o doutor Vicent de Paul D`Argenrt fez o primeiro transplante de córnea em um aldeão de nome Angel. Foi um sucesso da medicina da época, menos pra Angel, que assim que passou a enxergar ficou horrorizado com o mundo que via. Disse que o mundo que ele imaginava era muito melhor. Pediu ao cirurgião que arrancasse seus olhos. O caso foi acabar no tribunal de Paris e no Vaticano. Angel ganhou a causa e entrou pra história como o cego que não quis ver. ANDA À TOA Toa é a corda com que uma embarcação reboca a outra. Um navio que está à toa é o que não tem leme nem rumo, indo para onde o navio que o reboca determinar. QUEM NÃO TEM CÃO CAÇA COM GATO Na verdade, a expressão, com o passar dos anos, se adulterou. Inicialmente se dizia quem não tem cão caça como gato, ou seja, se esgueirando, astutamente, traiçoeiramente, como fazem os gatos. NHE-NHE-NEM Nheë, em tupi, quer dizer falar. Quando os portugueses chegaram ao Brasil, os indígenas não entendiam aquela falação estranha e diziam que os portugueses ficavam a dizer 'nhen-nhen-nhen' . VAI TOMAR BANHO Em "Casa Grande & Senzala", Gilberto Freyre analisa os hábitos de higiene dos índios versus os do colonizador português. Depois das Cruzadas, como corolário dos contatos comerciais, o europeu se contagiou de sífilis e de outras doenças transmissíveis e desenvolveu medo ao banho e horror à nudez, o que muito agradou à Igreja. Ora, o índio não conhecia a sífilis e se lavava da cabeça aos pés nos banhos de rio, além de usar folhas de árvore para limpar os bebês e lavar no rio as redes nas quais dormiam. Ora, o cheiro exalado pelo corpo dos portugueses, abafado em roupas que não eram trocadas com frequência e raramente lavadas, aliado à falta de banho, causava repugnância aos índios. Então os índios, quando estavam fartos de receber ordens dos portugueses, mandavam que fossem 'tomar banho'. A DAR COM O PAU O substantivo “pau” figura em várias expressões brasileiras. Esta expressão teve origem nos navios negreiros. Os negros capturados preferiam morrer durante a travessia e, para isso, deixavam de comer. Então, criou-se o “pau de comer” que era atravessado na boca dos escravos e os marinheiros jogavam sopa e angu pro estômago dos infelizes, a dar com o pau. O povo incorporou a expressão. ELES QUE SÃO BRANCOS QUE SE ENTENDAM Esta foi das primeiras punições impostas aos racistas, ainda no século XVIII. Um mulato, capitão de regimento, teve uma discussão com um de seus comandados e queixou-se ao seu superior, um oficial português. O capitão reivindicava a punição do soldado que o desrespeitara. Como resposta, ouviu do português a seguinte frase: 'Vocês que são pardos, que se entendam'. O oficial ficou indignado e recorreu à instância superior, na pessoa de dom Luís de Vasconcelos (1742-1807), 12° vice-rei do Brasil. Ao tomar conhecimento dos fatos, dom Luís mandou prender o oficial português que estranhou a atitude do vice-rei. Mas, dom Luís se explicou: nós somos brancos, cá nos entendemos. ÁGUA MOLE EM PEDRA DURA, TANTO BATE ATÉ QUE FURA Um de seus primeiros registros literário foi feito pelo escritor latino Ovídio (43 a.C.-18 d.C), autor de célebres livros como A arte de amar e Metamorfoses, que foi exilado sem que soubesse o motivo. Escreveu o poeta: “A água mole cava a pedra dura”. É tradição das culturas dos países em que a escrita não é muito difundida formar rimas nesse tipo de frase para que sua memorização seja facilitada. Foi o que fizeram com os provérbios portugueses e brasileiros.
Escrito por silemar às 11h37
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E ele finalmente deu seu primeiro vôo...

Meu velho amigo canarinho deu hoje seu primeiro vôo em busca da liberdade... O homem, essa besta-fera capaz de cometer horrores inimagináveis, ora um monstro sem alma e sem coração, ora um ser capaz de dar a própria vida para salvar um animal, tolheu para sempre a liberdade de meu canário. Incapaz de voar, incapaz de sobreviver sozinho, ele passou sua vidinha entre as grades que o homem em sua insensatez construiu para ele. O que me conforta é que pelo menos ele foi cuidado com carinho sempre. Embora há anos não mais cantasse eu não fiz o que muitos fazem, eu não o matei. Deixei que vivesse até seu final. Mantive limpa sua cela, coloquei alimentos, água, frutas e vitaminas. Talvez por isso tenha vivido tantos anos. E isso me dá conforto, como também me dá conforto imaginar que hoje, livre de sua prisão ele voa feliz ao lado dos anjos cantando com eles para Aquele que o criou. Meu velho amiguinho, tão velho e tão cheio de vida e amor. Não tinha medo de mim embora eu fosse a sua carcereira. Talvez ele soubesse em seu coraçãozinho que eu não podia soltá-lo como não posso soltar em liberdade os que ainda continuam aqui. Sem terem cometido crime algum eles estão fadados a viverem presos para sempre e apenas quando seus corações deixarem de bater é que terão a suprema felicidade de voarem livres como livres Deus os criou. Minhas lágrimas são de saudade, mas também são de alegria por saber que ele agora está em liberdade. Adeus meu pequeno canário, cante e voe livre deixando que os raios de sol brilhem em suas asas finalmente abertas. Silemar. Natal/RN, 30/09/2009
Escrito por silemar às 10h14
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Rubem Alves - Parte 1
Finalmente estou de volta, desta vez trazendo um lindo texto de Rubem Alves que descolei para vocês. Curtam e me digam se gostaram. A ÁRVORE QUE FLORESCE NO INVERNO Os sinais eram inequívocos. Aquelas nuvens baixas e escuras... O vento que soprava desde a véspera, arrancando das árvores folhas amarelas e vermelhas. Não queriam partir... O frio. É, estava chegando o frio. Deveria nevar. Viria então a tristeza, as árvores peladas, a vida recolhidas para funduras mais quentes, os pássaros já ausentes, fugidos para outro clima, e aquele longo sono da natureza, bonito quando cai a primeira nevada, triste com o passar do tempo... Resolvi passear, para dizer adeus às plantas que se preparavam para dormir e fui assim andando, encontrando-as silenciosas e conformadas frente ao inevitável, o inverno que se aproximava. Qualquer queixa seria inútil. E foi então que me espantei ao ver um arbusto estranho. Se fosse um ser humano certamente que o internariam num hospício, pois lhe faltava o senso da realidade, não sabia reconhecer os sinais do tempo. Lá estava ele, ignorando tudo, cheio de botões, alguns deles já abrindo, como se a primavera estivesse chegando. Não resisti, e me aproveitando de que não houvesse ninguém por perto, comecei a conversar com ele, e lhe perguntei se não sabia que o inverno estava chegando, que seus botões seriam queimados pela neve naquela mesma tarde. Argumentei sobre a inutilidade daquilo tudo, um gesto tão fraco, que não faria diferença alguma. Dentro em breve tudo estaria morto... E ele me falou, naquela linguagem que só as plantas entendem, que o inverno de fora não lhe importava, porque o seu era um ritmo diferente, o ritmo das estações que havia dentro dele, e seus botões eram um testemunho da teimosia da vida que se compraz mesmo em fazer o gesto inútil. As razões para isto? Puro prazer. Ah! Há tantas canções inúteis, fracas para entortar o cano das armas, para ressuscitar os mortos, para engravidar as virgens, mas não tem importância, elas continuam a ser cantadas pela alegria que contêm... E há os gestos de amor, os nomes que se escrevem nos troncos das árvores, preces silenciosas, que ninguém escuta, corpos que se abraçam, árvores que se plantam para gerações futuras, lugares que ficam vazios, à espera do retorno, poemas inúteis que se escrevem para ouvidos que não podem mais ouvir – porque alguma coisa vai crescendo de dentro, um ritmo, uma esperança, um botão – pela pura alegria, um gozo de amor... E me lembrei de um pôster que tenho no meu escritório, palavras de Albert Camus: “No meio do inverno eu finalmente aprendi que havia dentro de mim um verão invencível”. Agradeci àquele arbusto silencioso o seu gesto poético. Ah! Sim, quando pássaros fugiam amedrontados eles levavam no seu vôo as marcas do inverno que se aproximava. Quando as árvores pintavam suas folhas de amarelo e vermelho, como se fossem ipês ou flamboiãs, era seu último grito, um protesto contra o adeus, aquilo que de mais bonito tinham escondido lá dentro, para que todos chorassem quando elas lhes fossem arrancadas. Sim, eles sabiam o que os aguardava. E os seus gestos tinham aquele ar de tristeza inútil, ante o inevitável. Mas aquele arbusto teimoso vivia num outro mundo, num outro tempo. E, a despeito do inverno, ele saudava uma primavera que haveria de chegar e que naquele momento só existia como um louco desejo. As outras plantas, eu as encontrei como nós, realistas e precavidas, inteligentes e cuidadosas. Já o arbusto tinha aquele ar de criança sonhadora, uma pitada de loucura em cada botão, um poema em cada flor. As outras, se fossem gente, construiriam casas que nos protegessem do frio. Já o meu arbusto faria liturgias que anunciam a ressurreição. Porque liturgia é isso: florescer pela manhã mesmo se for nevar pela tarde...
Escrito por silemar às 12h57
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Rubem Alves - Parte 2
E aí a alucinação teológica tomou conta da minha cabeça, e me lembrei da canção do profeta Habacuque: “Muito embora não haja flores na figueira e nem frutos se vejam nos ramos da videira; nada se encontre nos galhos da oliveira e nos campos não exista o que comer; no aprisco não se vejam ovelhas e nos currais não exista gado: todavia eu me alegro no Senhor, exulto no Deus que me salva”. Nos brotos do arbusto, as palavras do profeta: um gesto a despeito de tudo... Me lembrei então de uma velha tradição de Natal, ligada à árvore. As famílias levavam arbustos para dentro de suas casas. E ali, neve por todas as partes, elas faziam florescer, regando-os com água aquecida. Para que não se esquecessem de que, em meio ao inverno, a primavera continuava escondida em alguma parte. As primitivas liturgias cantaram este poema dizendo “... nasceu da Virgem Maria...” Virgindade: terra obstruída pela neve, sementes inúteis caminhos interrompidos, jardins interditados, nascimentos proibidos, vida impossível. Um botão que floresce no inverno? Inverno é o frio, neve, silêncio, torpor, morte. Herodes, cascos e cavalos, espadas de aço e queixos de ferro, as análises de conjuntura dizem que tudo é inútil. No entanto, em algum lugar, um arbusto floresce no inverno, uma Virgem fica grávida. E quem a engravidou? O Vento, esperança, nostalgia... E o vento se fez Evento, e o afeto se fez feto... No lugar das coisas possíveis, os homens escrevem os seus nomes. Mas quando o impossível se faz carne, ali se escreve o nome de Deus... (Pai Nosso, Meditações – Rubem Alves págs. 85 à 88)
Escrito por silemar às 12h56
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